sexta-feira, 2 de março de 2012

Prega a Palavra!


            


            É fato a superficialidade Bíblica dos nossos dias. Creio que o corre-corre, o cansaço e outras coisas são apenas desculpas esfarrapadas para a verdadeira razão: corações cheios de si. Essa manhã meditei em 2 Timóteo 3 e 4 onde a constatação dos últimos dias serve como um chamado ao estudo e pregação da Palavra. Nestes dias onde o homem é o centro, professar a fé na Bíblia é uma coisa, porém vivenciá-la é absurdamente inapropriado. Quer ver um exemplo claro disso? É belo e momentaneamente confortador perceber que Jesus convida a lançar sobre Ele toda nossa ansiedade, outra coisa é lançar, confiar e depender que posso fazer isso e encontrar alegria verdadeira. É fácil ler e até serve como desafio para os outros, ou para os filhos dos outros, o sair e por onde for fazer discípulos do Senhor Jesus, porque enquanto for na minha zona de conforto tudo bem, mas se não... Outro fato é aquilo que as pessoas gostam e querem ouvir, pois o que na verdade agrada são os Sete passos para alcançar a felicidade; Como viver um cristianismo light? Como ser próspero em meus negócios? Além disso, temos também um foco exagerado em temas como justiça social que leva muitos para uma visão reduzida e existencialista do evangelho. Bom, tanto este conceito voltado para o bem estar do homem, assim como a autoajuda, a prosperidade triunfalista e determinista e uma aberração da graça de Deus (que a transformou quase que em uma divindade) têm a sua ênfase no “eu” e para alcançar seus objetivos tomaram os púlpitos e regem milhares de pessoas que lotam templos e seguem os grandes ícones de um “evangelho” que faz com que os homens dos quais o mundo não é digno se “contorçam nos túmulos”.

            Pregar a Palavra, anunciar o Evangelho, se tornou não só um desafio, mas acima disso: perseguição. Mas, aqueles que pregam a palavra devem mudar o discurso? Temer? De forma alguma! O que Paulo adverte Timóteo é que “todos que querem viver piedosamente em Cristo serão perseguidos”(3.12)! O que de fato aconselha, cura, restaura, alicerça, purifica, guia, nos ensina o que crer, como viver, repreende, exorta, fortalece, disciplina...? É a Palavra! Deus por meio do Seu Espírito usa a Palavra. É nela que Deus se revela e é nela que aprendemos a conhecê-Lo e a nos relacionar com Ele. É por meio dela que Deus desafia Seu povo a segui-lo numa perspectiva teocêntrica e não humanista. Não afirmo com isso que Deus não se preocupe com justiça social, com que pessoas sejam felizes e que muitos desfrutem de prosperidade, contudo o centro de tudo isso é o próprio Deus e não o homem. A visão humanista que é fruto de rebelião, apostasia coloca o homem e suas filosofias no centro por uma razão obvia, “eu sou deus”, enquanto que a Palavra coloca o homem no seu devido lugar, prostrado diante do Senhor em reverente e humilde adoração reconhecendo que de fato só o Senhor é Deus. A Palavra quebra o sistema idólatra predominante que toma a agenda, as forças e o melhor das pessoas e direciona tudo isso para uma nova proposta de vida, onde, as lentes que agora sou chamado a enxergar a vida são as lentes da própria Palavra e desta forma, temos corações que se tornam biblicamente orientados.

            Encerro com as palavras de Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá um tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (3.16, 17; 4.1-5).
Leonardo Cavalcante

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