terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Compromisso (parte 2)


          


           A reação da multidão nem sempre é aquilo que esperamos ver, contudo nada disso pegou Jesus de surpresa. Ainda que aos nossos olhos corramos atrás de grandes resultados, Jesus não está à procura disso. O que de fato interessa a Ele é cumprir a vontade soberana do Pai (Jo 6. 38-40) e Ele tem a plena convicção de que aqueles que o Pai lhe deu O seguirão (Jo 6. 44). Estavam presentes agora os doze. Todos se retiraram, cada um seguiu seu caminho de acordo com suas conveniências e desejos. Não havia no coração deles uma percepção clara e contundente sobre Jesus e isso é comprovado na atitude que eles tomam. Este acontecimento nos ensina que “multidão” não é necessariamente sinônimo de sucesso, ainda que nos nossos dias o sucesso da carreira de alguém seja medido por resultados como este ou outros parecidos. Haveria Jesus fracassado em seu discurso? Absolutamente não! A vontade soberana do Pai estava se cumprindo naquele momento.

            Agora, ele olha para os doze e pergunta: “Porventura, quereis vós outros retirar-vos?”, esse é o tipo de pergunta que Jesus faz e já tem a plena convicção da resposta.       Ele sabia que inclusive Judas, ainda que fosse o traidor, estava presente ali para cumprir a vontade do Pai. A resposta que vem dos lábios de Pedro revela o que está presente no coração dos outros (exceto Judas), ele assume a liderança e afirma: “Senhor, para quem iremos?”(Jo 6. 68). A questão presente aqui não é um local geográfico, porém alguém específico. Para quem iremos demonstra um compromisso firmado, uma aliança com alguém, uma certeza de que se está na companhia da pessoa certa. Esse não é o tipo de relacionamento vivenciado superficialmente, essa não é uma relação de coleguismo, ou apenas uma vivencia de trabalho. O fato disso é notado em três afirmações: Primeiro Pedro afirma que “Tu tens as palavras da vida eterna”, ora, a vida eterna, segundo as palavras ditas por Jesus, tinha haver com uma comunhão íntima com Ele (Jo 6. 50-58) e isto estava revelado ao coração daqueles que o Pai havia dado ao Filho. Em segundo lugar, Pedro afirma “e nós temos crido”. Crença é algo que transforma completamente o estilo de vida de alguém. As pessoas creem, por exemplo, que para ser feliz é necessário ter boas condições financeiras e alguém que o ame loucamente... Bom, crenças desse tipo são plantadas, crescem no coração como verdade e muitos se entregam e até se matam por isso. O crer que os discípulos professaram passa por um crivo muito mais profundo. O “crido” de Pedro passa por uma avaliação rica e criteriosa da verdade, algo profundo e não superficial. Era o casamento de todas as promessas do Antigo Testamento na pessoa do Jesus que estava ali com eles na caminhada. Em terceiro e último lugar, Pedro diz: “e conhecido”. As palavras são muito bem selecionadas e direcionadas pelo Espírito Santo que inspirou a escrita das Sagradas Escrituras, pois Ele se utiliza de uma palavra que não significa um conhecimento árido sobre algo, todavia um relacionamento íntimo com alguém. Havia entre eles relacionamento íntimo, sincero, verdadeiro. Eles compartilhavam uma caminhada que era muito mais que um treinamento, era vida, dia a dia, partilhar o pão, as lutas. Diferentemente dos nossos dias, onde as relações são extremamente consumistas, onde me aproximo apenas de quem pode contribuir para que eu seja, me sinta,... Na verdade, nós só temos tempo pra relacionamentos assim e esse não era o caso dos discípulos, eles entregaram a vida a Crsito.

            A grande questão que permanece é: o que nos leva a caminhar com Cristo? Temos nos alimentado dEle e cremos que nEle se encontram as palavras da vida eterna? Temos de fato crido nEle, confiado, colocado nossa vida em total dependência? E o que falar do nosso relacionamento? Será que existe mesmo um caminho diário, uma relação viva, ou são encontros frios e esporádicos? Somos chamados a uma reflexão profunda sobre isto. Que Deus conduza nosso coração à verdade e nos traga ao real caminho do discipulado.

Leonardo Cavalcante

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