terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Compromisso (parte 2)


          


           A reação da multidão nem sempre é aquilo que esperamos ver, contudo nada disso pegou Jesus de surpresa. Ainda que aos nossos olhos corramos atrás de grandes resultados, Jesus não está à procura disso. O que de fato interessa a Ele é cumprir a vontade soberana do Pai (Jo 6. 38-40) e Ele tem a plena convicção de que aqueles que o Pai lhe deu O seguirão (Jo 6. 44). Estavam presentes agora os doze. Todos se retiraram, cada um seguiu seu caminho de acordo com suas conveniências e desejos. Não havia no coração deles uma percepção clara e contundente sobre Jesus e isso é comprovado na atitude que eles tomam. Este acontecimento nos ensina que “multidão” não é necessariamente sinônimo de sucesso, ainda que nos nossos dias o sucesso da carreira de alguém seja medido por resultados como este ou outros parecidos. Haveria Jesus fracassado em seu discurso? Absolutamente não! A vontade soberana do Pai estava se cumprindo naquele momento.

            Agora, ele olha para os doze e pergunta: “Porventura, quereis vós outros retirar-vos?”, esse é o tipo de pergunta que Jesus faz e já tem a plena convicção da resposta.       Ele sabia que inclusive Judas, ainda que fosse o traidor, estava presente ali para cumprir a vontade do Pai. A resposta que vem dos lábios de Pedro revela o que está presente no coração dos outros (exceto Judas), ele assume a liderança e afirma: “Senhor, para quem iremos?”(Jo 6. 68). A questão presente aqui não é um local geográfico, porém alguém específico. Para quem iremos demonstra um compromisso firmado, uma aliança com alguém, uma certeza de que se está na companhia da pessoa certa. Esse não é o tipo de relacionamento vivenciado superficialmente, essa não é uma relação de coleguismo, ou apenas uma vivencia de trabalho. O fato disso é notado em três afirmações: Primeiro Pedro afirma que “Tu tens as palavras da vida eterna”, ora, a vida eterna, segundo as palavras ditas por Jesus, tinha haver com uma comunhão íntima com Ele (Jo 6. 50-58) e isto estava revelado ao coração daqueles que o Pai havia dado ao Filho. Em segundo lugar, Pedro afirma “e nós temos crido”. Crença é algo que transforma completamente o estilo de vida de alguém. As pessoas creem, por exemplo, que para ser feliz é necessário ter boas condições financeiras e alguém que o ame loucamente... Bom, crenças desse tipo são plantadas, crescem no coração como verdade e muitos se entregam e até se matam por isso. O crer que os discípulos professaram passa por um crivo muito mais profundo. O “crido” de Pedro passa por uma avaliação rica e criteriosa da verdade, algo profundo e não superficial. Era o casamento de todas as promessas do Antigo Testamento na pessoa do Jesus que estava ali com eles na caminhada. Em terceiro e último lugar, Pedro diz: “e conhecido”. As palavras são muito bem selecionadas e direcionadas pelo Espírito Santo que inspirou a escrita das Sagradas Escrituras, pois Ele se utiliza de uma palavra que não significa um conhecimento árido sobre algo, todavia um relacionamento íntimo com alguém. Havia entre eles relacionamento íntimo, sincero, verdadeiro. Eles compartilhavam uma caminhada que era muito mais que um treinamento, era vida, dia a dia, partilhar o pão, as lutas. Diferentemente dos nossos dias, onde as relações são extremamente consumistas, onde me aproximo apenas de quem pode contribuir para que eu seja, me sinta,... Na verdade, nós só temos tempo pra relacionamentos assim e esse não era o caso dos discípulos, eles entregaram a vida a Crsito.

            A grande questão que permanece é: o que nos leva a caminhar com Cristo? Temos nos alimentado dEle e cremos que nEle se encontram as palavras da vida eterna? Temos de fato crido nEle, confiado, colocado nossa vida em total dependência? E o que falar do nosso relacionamento? Será que existe mesmo um caminho diário, uma relação viva, ou são encontros frios e esporádicos? Somos chamados a uma reflexão profunda sobre isto. Que Deus conduza nosso coração à verdade e nos traga ao real caminho do discipulado.

Leonardo Cavalcante

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Compromisso (parte 1)





Compromisso é sem dúvida, nos dias atuais, uma palavra que permanece naquilo que é conveniente às pessoas, contudo naquilo que exige delas coisas que pesarão no prazer, ou naquilo que fará com que desejos pessoais sejam negados, o compromisso não permanece. Isso acontece em todas as esferas da existência humana, por exemplo, se minha esposa, ou esposo, não é pra mim aquilo que sempre esperei, por que permanecer casado(a)? Se amigos não são o que eu gostaria que fossem, por que continuar na caminhada? Bem, por aí segue uma lista quase que interminável de exemplos que poderíamos citar, contudo a pergunta que insiste em atormentar o coração é dura e precisa ser feita: E na vida com o Senhor Jesus, há compromisso?

            Jesus em sua caminhada descrita nos Evangelhos sempre atraiu muitos que por diversos motivos se agregavam e o seguiam. A grande questão é: que motivos os levavam a seguir a Cristo? No Evangelho de João, capítulo 6, encontramos a multiplicação de pães e peixes realizada por Jesus e que saciou a fome de muitos. Jesus mesmo percebeu que por estar a muito tempo com Ele, àquela multidão deveria estar faminta. É maravilho saber que nosso Senhor sabe o que necessitamos e antes que venhamos a pedir-lhe algo, Ele age em favor daqueles que o seguem. Porém, se a história terminasse aí poderíamos até afirmar que a multidão estava comprometida com Cristo compreendendo o caminho proposto por Ele.
Jesus parte de Tiberíades para Cafarnaum e ao perceber isto a multidão o segue. Jesus, que diferentemente de nós, não é enganado e por ser Deus, sonda e conhece o coração do homem, percebe a real motivação do coração daquela multidão. Não havia neles um interesse por Jesus e sim por aquilo que Jesus podia lhes dar. Eram como consumidores da fé. Hoje seu casamento vai ser restaurado! Hoje a prosperidade chegará a sua vida! Hoje você deixará de ser cauda e passará a ser cabeça! Hoje sua autoestima chegará até as nuvens com nossas palavras de autoajuda! Hoje o terapeuta Jesus fará consultas gratuitas e ensinará os sete passos pra felicidade! Bom, não quero ser seco ao ponto de afirmar que não existe interesse em Cristo por nossa felicidade, mas é necessário compreendermos onde está a fonte da alegria, do contentamento. Onde de fato podemos ser prósperos, curados, restaurados e felizes!

            No discurso à multidão, Jesus se declara como o pão vivo que desceu do céu da parte de Deus e aos que creem nEle a promessa é de que nunca terão fome e sede. O pão que os que dele se alimentam não perecem, mas têm a vida eterna! Ora, tudo isso soa à multidão como algo duro e difícil de ouvir, afinal de contas a motivação de estar ali era outra... Bom, agora não resta mais nada a não ser ir embora e achar outro “messias” que seja conveniente às minhas aspirações.
            Afinal, no que diz respeito às suas motivações, porque você segue a Cristo? O que leva você a buscá-lo? É o ministério, a cura, é porque muitos estão seguindo? Ou será por conta de um estilo de vida que aparentemente te agrada? Na próxima veremos a verdade que estava no coração de outros que caminhavam com Jesus. Deus te abençoe!
Leonardo Cavalcante

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012


         

         Essa manhã acordei pensando sobre o que de fato significa seguir a Cristo e viver Sua vontade. Temos nos nossos dias um grande conflito sobre isto. Parece que a perspectiva total de seguir a Cristo tornou-se apenas em frequentar uma igreja, se sentir acolhido, amado, ter um lugar legal com pessoas legais para convivência. Bom, tudo isso é bem conveniente para muitos e até chega a satisfazer a estes. O que percebo é o fortalecimento de uma ideia tosca de uma vida cristã reduzida aquilo que me é plausível. Deixe-me dar um exemplo, imagine alguém que vive a sonegar impostos e “se dá bem” com essa prática, seu ouvido “seletivo” ouvirá bem os sermões quando estes forem como as caixinhas de promessas recheadas de bênçãos e livramentos, contudo negará com todas as forças o chamado Bíblico a integridade na área dos negócios e finanças. Sabe, este é apenas um exemplo de muitos que poderíamos citar, a verdade é que há uma disposição em seguir a Jesus apenas nos pontos em que não me custem algo que eu esteja apegado.
        
            Penso que este “evangelho” de consumo, onde no final das contas eu escolho e pago pelo Cristo que quero é mais uma fábula que conduz àqueles que rejeitam a verdade da Palavra e o Jesus Bíblico. O verdadeiro Evangelho é radical e o chamado de Cristo também. Jesus conhecia bem as multidões que o seguiam, Ele sabia a motivação do coração e consequentemente o porquê de estarem ali e por isso Ele sempre coloca à prova os que querem segui-lo. No Evangelho de Lucas 9. 23-25 Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?”, bom, o que, humanamente falando, tem de agradável nisto? Por isso que o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 1. 18 “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”. Isto é loucura para qualquer pessoa, porque o que todos querem é a ideia falsa de felicidade, alegria, prosperidade e satisfação. Olhar para alguém e notá-lo como discípulo de Jesus, assim como no tempo em que Cristo esteve aqui encarnado é considerá-lo como louco.
           
            Gosto da afirmação de A.W. Tozer: “Este mundo não é um parque de diversões e sim um campo de batalha” e creio que enquanto estivermos aqui temos um propósito claro e bem definido: Glorificar a Deus desfrutando de Sua presença e fazer discípulos do Senhor Jesus até que Ele venha e nos tome para Si conduzindo-nos à nova Jerusalém onde a batalha terá fim, até lá, é guerra! Guerra, contra nosso “eu”, contra Satanás, contra o mundo. Que o Senhor da guerra nos abençoe e guarde nosso coração em Cristo.

Leonardo Cavalcante

sábado, 27 de agosto de 2011

Influenciando ou influenciados?



Influenciando ou influenciados?
            Pessoas falam sobre foco a todo instante. O mundo impõe que você seja focado, tenha seus objetivos bem definidos, faça escolhas que sejam lucrativas, seja assertivo, dinâmico, proativo...! Bom, tudo isso aponta para algo chamado sucesso (pessoal e profissional) se tornou o grande alvo da vida das pessoas, que cada vez mais egoístas, voam atrás da construção de reinos neste mundo.           O grande espanto surge quando observamos a caminhada da Igreja dos nossos dias, porque o comportamento prevalecente é terrivelmente constatado nos arraiais evangélicos. Na grande maioria das Igrejas evangélicas no Brasil, a falta de exposição Bíblica, de compromisso integral com Deus e a ênfase nas “teologias” que ensinam prosperidade material e foco no bem estar, em que o homem é o centro, servem como provas da superficialidade e mundanização dos crentes. E esta é a palavra que define bem os crentes atuais, superficiais e mundanos.
            Os que agora gozam da vida conquistada por Cristo na cruz são chamados a fazer morrer a natureza terrena (Cl 3.5), a não se conformarem (tomar a forma) com este século (Rm 12.2), a não andar como andam os gentios (Ef 4.17), ou seja, aquilo que pertence ao velho homem não faz mais parte da nova e verdadeira vida. Todavia, não é isso que é visto. O que se percebe é o prevalecer dos conceitos e filosofias mundanas e um constante esvaziar do Espírito e da Palavra. Estes fatores alimentam o amor ao “eu” e a incredulidade no caráter de Deus e em Sua Palavra se tornam ainda maiores fazendo com que os propósitos do mundo passem a ser os propósitos daqueles que já experimentaram o amor derramado na cruz. De forma bem prática, a Palavra de Deus e a vida com Deus é facilmente negociada por qualquer outra coisa. Jovens que não causam impacto nenhum e vivem deliberadamente em pecado, casais que se destroem por investirem mais nos movimentos impostos pelo mundo, como o obter sempre mais, por exemplo, e não vivem o caminho de Deus para o casamento. O que falar da criação dos filhos, do relacionamento dos filhos com os pais? O que falar do modo como conduzimos nossas relações no trabalho? Entretanto, essa vida contaminada com o mundanismo não interfere apenas internamente, pessoalmente ou em núcleos menores. Ela se expande. Como? Passamos a compartilhar essa cosmovisão com quem se aproxima de nós. Exemplo, quantos jovens muitas vezes se reúnem em programações com o intuito de, após esses encontros, “curtirem” suas baladas, farras e até motéis, o que está acontecendo? Eles estão compartilhando as trevas do seu coração com outros e sem sombra de dúvida discipulando de maneira corrompida até crentes novos na fé.         
Penso na Igreja primitiva, penso nos grandes avivamentos, mas penso em pessoas simples que amam e andam com Deus e não só causam impacto onde vivem, mas são também uma denúncia contra aqueles que se perderam na caminhada. Assim como aconteceu na cidade de Antioquia, onde os discípulos por sua integridade na caminhada com Deus foram chamados de pequenos Cristos, que tenhamos hoje nosso foco não na busca por sucesso ou no empreendimento de reinos aqui neste mundo, todavia que sejamos lançados no mundo como gente que é chamada para fazer discípulos de Cristo.
Leonardo Cavalcante  

terça-feira, 7 de junho de 2011

Guerra dos Mundos


“Guerra dos mundos”
“Acreditar em si mesmo é fundamental na luta por uma aprovação em um concurso público. Enxergue-se como alguém capaz de superar seus próprios limites. Não importa se ninguém acreditar no seu potencial, desde que você acredite!!”
www.lutadeumconcurseiro.com

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.”
Paulo em Rm 11.36

            Eu não sei você, mas quando lemos estas duas sentenças percebemos um distanciamento enorme entre elas. A primeira reflete bem o coração do homem que tem em si, um local de adoração todo ornamentado e consagrado a um deus chamado “eu”. Na verdade, esta é uma das questões fundamentais “proporcionadas” pela queda. Todos concebem a realidade por aquilo que é aprendido de forma pré-discursiva (nos primeiros anos de vida) e discursiva, concreta e abstrata, humanista e mística. Esta realidade se estabelece, de forma prática, naquilo que eu tenho que “ser” e “ter”, daí então, é criado um ambiente onde cada pessoa precisa firmar seu reino aqui na terra. As lutas para que este reino seja efetivado, demandada das pessoas uma agenda totalmente direcionada para a edificação e promoção desse reino pessoal. Sacrifícios são requeridos e afirmações de que, tudo é seu, acontece por meio de você (esforço, capacitações) e para você (num sentido de glória e méritos pessoais), saturam a mente das pessoas definido assim o comportamento social. A sociedade por sua vez alimenta esta cosmovisão levando as pessoas a um constante estado de embriagues que é revelado em vidas cada vez mais auto-centralizadas.
            
                 Não é a toa que a sociedade atual vive um estado de degradação estrutural. No momento em que não existe mais a percepção Bíblica de um Deus que reina soberanamente e estabelece o Seu reino também nos homens, o próprio homem, de acordo com toda sua formação social e principalmente por possuir um coração corrompido pelo pecado e sujeito as ações satânicas, cria mecanismos para uma promoção de si mesmo e sua vontade. Estes mecanismos são evidenciados no comportamento corriqueiro das pessoas, quando estas, traçam seus objetivos (sejam quais forem) utilizando-se de meios, na maioria das vezes corrompidos, com a finalidade de atingirem o (os) propósito (os) determinado (os). Poderíamos citar vários aspectos que compõem esta realidade social que nos cerca, mas gostaria de pensar em alguns bem claros, por exemplo, a família, a sociedade e a natureza.

     As relações familiares atuais sofrem um dos maiores embates da história. A corrupção dentro dessa estrutura Bíblica tem gerado uma série de tragédias no mundo. Como isso acontece? Bom, uma visão de mundo não surge de uma hora pra outra, ela é fomentada desde a mais tenra idade. Ou seja, aquilo que desde cedo influencia o coração de uma pessoa, um dia, pode será compartilhado por ela dentro de um grupo, que por sua vez, dentro de uma estrutura de plausibilidade, compartilhará com outros grupos, fazendo com que esta visão que antes era familiar, se torne regional e quem sabe até global. Alguns pontos podem ser elencados como fatores que têm afetado a família, um fato bem nítido é a inversão dos papeis na relação marido e mulher que gera uma crise de identidade profunda entre casais levando ao fim muitos casamentos. O homem não sabe mais o que é ser homem, para ele, ou se vivencia a figura de um ditador, ou a de um cãozinho de estimação preso em uma coleira. Do outro lado, a mulher vem perdendo as características da piedosa mãe e esposa para uma burocrata que lidera, luta e empreende para garantir seu lugar ao sol.  A falta de identidade e a ausência desses pais devido às pressões da sociedade e ao corre-corre diário para a obtenção de recursos, na intenção de “garantir um futuro melhor” para os filhos, ou para uma vida mais satisfatória, por sua vez, envia ao mundo uma geração de filhos sem afeição natural e com transtornos psíquicos que tem como base a ansiedade. Isso se vê com clareza no aumento da violência, na falta de limites, respeito, imoralidade sexual e outros fatores que se estampam nas páginas dos jornais, na internet e em noticiários televisivos diariamente, comprovando que viagens e coisas não substituem a falta dos pais.

          Se dentro das casas as relações andam assim, o que pensar do momento em que saímos dela? A falta de identificação com o próximo vem tomando formas aberrantes. Como explicar as chacinas, o assassinato de mendigos nas ruas, os estupros, o ganhar dinheiro promovendo a morte de milhares de pessoas através da produção e venda de drogas? Como não negar as negociatas, o caixa dois, a sonegação, os papeis encobertos, as mentiras? A falta de identificação com o próximo é tão grande que antes ficávamos espantados, quase que sem dormir, ao ver a imagem de pessoas assassinadas, contudo hoje em dia isso se tornou algo comum. Ver crianças cheirando cola ou usando crack, mendigando nos sinais, perceber famílias em situações miseráveis e esta incrível disparidade social, são coisas que não nos sensibilizam. Os fins de fato têm justificado os meios, porque não importa aquilo que “eu” faça, contudo, se “eu” obtiver aquilo que quero então está valendo, não importa se haverá fraudes, mágoas, se reputações serão abaladas, importa o meu alvo, a minha meta. Na ânsia pelo ter e ser, o homem se torna muitas vezes um ser repugnante e coisas que antes eram postas como grandes absurdos tornam-se aceitáveis para que o reino que ele idealiza seja concretizado e bem sucedido.

      Bom, se as coisas caminham assim com pessoas, ela se torna muito pior no governo da criação. O mandato cultural que Deus deu ao homem, assim como em todas as outras áreas, foi também alvo da maldição da queda. O que presenciamos é uma utilização exagerada e irresponsável de tudo aquilo criado por Deus. As devastações, desmatamentos, a falta de saneamento são pontos que estão sempre na pauta dos candidatos, entretanto, se restringem na maioria das vezes (pra não sermos tão pessimistas) as pautas (aqui vai um link bem legal que fala sobre este assunto: http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E ). Não somos bons administradores daquilo que nos foi conferido. Mesmo com toda luta para uma conscientização da população sobre sustentabilidade, preservação, conservação e coisas do tipo, estamos longe de atingirmos o ideal. Por outro lado, não podemos cair no erro de servirmos a natureza, o princípio é usá-la de forma sábia, coerente, que reflita o governo de Deus.

        Em linhas bem gerais, estes são alguns aspectos do reino dos homens. No próximo texto, pensaremos especificamente sobre a afirmação de Paulo no texto de Romanos 11.36. Até a próxima!
Leonardo Cavalcante

sábado, 28 de maio de 2011

Dá-me forças!!!


“Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus”
2 Tm 2.1
O que normalmente falamos para uma pessoa que conhece a Deus e está desanimada com Deus e com a vida? Bom, percebo na maioria das vezes que quando nos deparamos com situações assim, parece que nos transformamos em compêndios de auto-ajuda sempre cheios de palavras adocicadas pela sabedoria humanista e com apelos a uma melhora da auto-estima. Ah! Não poderia esquecer a tapinha nas costas e um sorriso de aparente identificação com a situação do outro.
           
          O fato é que na história da humanidade a Igreja nunca foi tão psicologizada como nos dias atuais. Essa visão se apresenta e tenta explicar as crises do coração do homem por meio de “chaves” psicológicas dentre as muitas escolas da psicologia. Um aspecto disso é que hoje “a responsabilidade e causa de atitudes erradas são sempre de alguém (outra pessoa) ou algo mais (fatores do passado, presente, etc.)”. Isto faz com que o indivíduo se torne sempre uma vítima, imputável e intocável. Outro discurso é o de que o seu bem-estar está acima de qualquer responsabilidade, acima de valores Bíblicos promovendo cada vez mais o “eu” ou o ser auto-centralizado.
       
       Quando observamos as cartas escritas ao jovem Timóteo, principalmente na segunda carta, percebemos não só aspectos doutrinários que deveriam ser observados, todavia notamos um cuidado especial de Paulo por seu filho na fé. Em especial neste versículo que tomei para refletirmos, vejo um caminho proposto pelo apóstolo para os corações desanimados em meio às circunstâncias da vida. Paulo o convoca para um fortalecimento na graça que está em Cristo Jesus. Diferente da visão humanista dos nossos dias, o chamado literal aqui, de acordo com o verbo usado no texto, é a um fortalecimento do homem interior contínuo na graça que está em Cristo, ou seja, em Cristo nós somos capacitados continuamente para que em meio às batalhas não venhamos a desfalecer. Entretanto, este mesmo verbo também está no imperativo, o que denota uma ordem, noutras palavras há um caminho de graça apresentado por Deus aos desalentados que perderam o foco da caminhada. Das muitas placas existentes nessa estrada, encontramos uma que aponta para o caminho de restauração do coração, porém, aqueles que querem continuar seguindo em outra direção encontrarão abismos e toda sorte de frustrações tudo isso porque não se submeteram ao caminho proposto por Aquele que criou o mapa e a rodovia pra que trilhássemos nela.
           
        Fortifique-se na graça que está em Cristo Jesus, perceba com clareza tudo que Ele fez e o Seu chamado que por Sua graça, capacita você, para em meio as batalhas resistir por meio dEle. Deus abençoe você!!!

Leonardo Cavalcante

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O coração idólatra


Um dos grandes, senão o maior, obstáculos na nossa caminhada da fé é o nosso coração idólatra. O coração humano é desesperadamente corrupto, os seus caminhos visam tão somente à busca por sua glória, prazer, satisfação e tudo aquilo que de alguma forma o estabeleça como um deus nesse mundo. Talvez você chegue a pensar que estou pegando pesado com isso, mas creia, não estou!

            Na queda (Gn. 3), o desejo de ser “deus” tomou conta do coração da mulher e por conseguinte de toda humanidade. Todo ser humano nasce com um desejo inato centrado no seu “eu”. Quando criança esses desejos são manifestados de formas aparentemente bobas, alguns até chegam achar engraçadinho o egoísmo infantil, contudo com o passar dos anos tudo isso vai ganhando novos contornos, aquilo que era “tão inocente” ganha aspectos mais elaborados.

            A idolatria do “eu”, usando as palavras de Brian Walsh e Richard Middleton no livro A Visão Transformadora, “é, essencialmente, uma declaração de autonomia e independência de nosso Criador, nossa rejeição de seu reino legítimo. A idolatria é retratada, na Bíblia, não meramente como um pecado entre muitos, mas como a epítome do pecado. Ela é o ato central desobediência que interrompe o governo de Deus sobre a vida humana”.

            Ainda que por vezes, muitos cheguem a minimizar o significado de idolatria a algumas religiões, o seu conteúdo central encontra-se vivo e pulsante no coração de todo homem e mulher. Entretanto, já que falei de religião, permita-me citar um exemplo que ouvi. Quando alguém se prostra perante um santo católico romano, como santo Expedito, o santo das causas impossíveis, como diria um professor, eles nem conhecem a história desse homem nem tampouco estão interessados nela, mas o que eles querem é a solução de suas causas impossíveis. Percebe a o ponto da questão? No final das contas é sempre o “eu” que precisa ser suprido. Desta forma estabelecemos ídolos menores como santos, empresas, pessoas, bens, segurança, estabilidade, políticos e políticas públicas, etc., que alimentam o ídolo maior que é o “eu” e nesse processo, lamentavelmente, o próprio Deus acaba se tornando um ídolo. Passamos de servos para pessoas que são servidas por Ele e se Ele não me serve como quero, Ele não serve para mim. Passamos a viver então uma vida apática, triste e altamente fria por que ao invés de relacionamento, adoração e louvor o que existe de fato é um desejo de que Deus me supra como sempre espero e quero. Essa vida egocêntrica vivida com Deus acaba se refletindo em minhas relações interpessoais de modo que, o meu cônjuge, meus filhos, meus pais, meus amigos, meu emprego, meus bens, todos devem me suprir e promover em meio a essa vida onde eu consumo tudo e todos com o firme propósito de alimentar meu ídolo maior que sou eu mesmo.

            Recordo-me das palavras de Jesus (Lc 9.23) quando diz aos que desejam acompanhá-Lo que todos os dias devem tomar sua cruz e segui-Lo. O que significa tomar a cruz senão a clara proposta de crucificação do “eu”. Usando as palavras do Rev. Sérgio Victalino no domingo passado (03/04/2011) quando questionou: “Onde está a vontade de um morto? Onde está a vontade de alguém que foi crucificado com Cristo e ressuscitou para uma nova vida?” Nesta nova vida Deus é de fato e de verdade o único Deus santo, digno de ser honrado e adorado. Nela Sua palavra não é questionada, mas crida e obedecida, nela o desejo de justiça não se esconde por trás de ideais e idealistas idólatras, contudo é vivenciado na prática diária de alguém que vive a vida do Reino e busca o estabelecimento desse Reino bendito em todos os lugares onde Deus o tem colocado. Nesta nova vida o discipulado não é um mero assessório, todavia fazer discípulos de Cristo se torna a expressão de um propósito soberano para vida daqueles que agora vivem pela fé no Filho de Deus. Que Deus nos abençoe!


Leonardo Cavalcante