É fato a superficialidade Bíblica dos nossos dias. Creio que
o corre-corre, o cansaço e outras coisas são apenas desculpas esfarrapadas para
a verdadeira razão: corações cheios de
si. Essa manhã meditei em 2 Timóteo 3 e 4 onde a constatação dos últimos
dias serve como um chamado ao estudo e pregação da Palavra. Nestes dias onde o
homem é o centro, professar a fé na Bíblia é uma coisa, porém vivenciá-la é
absurdamente inapropriado. Quer ver um exemplo claro disso? É belo e
momentaneamente confortador perceber que Jesus convida a lançar sobre Ele toda
nossa ansiedade, outra coisa é lançar, confiar e depender que posso fazer isso
e encontrar alegria verdadeira. É fácil ler e até serve como desafio para os
outros, ou para os filhos dos outros, o sair e por onde for fazer discípulos do
Senhor Jesus, porque enquanto for na minha zona de conforto tudo bem, mas se
não... Outro fato é aquilo que as pessoas gostam e querem ouvir, pois o que na
verdade agrada são os Sete passos para alcançar a felicidade; Como viver um
cristianismo light? Como ser próspero em meus negócios? Além disso, temos
também um foco exagerado em temas como justiça social que leva muitos para uma
visão reduzida e existencialista do evangelho. Bom, tanto este conceito voltado
para o bem estar do homem, assim como a autoajuda, a prosperidade triunfalista
e determinista e uma aberração da graça de Deus (que a transformou quase que em
uma divindade) têm a sua ênfase no “eu” e para alcançar seus objetivos tomaram
os púlpitos e regem milhares de pessoas que lotam templos e seguem os grandes
ícones de um “evangelho” que faz com que os homens dos quais o mundo não é
digno se “contorçam nos túmulos”.
Pregar a
Palavra, anunciar o Evangelho, se tornou não só um desafio, mas acima disso:
perseguição. Mas, aqueles que pregam a palavra devem mudar o discurso? Temer?
De forma alguma! O que Paulo adverte Timóteo é que “todos que querem viver
piedosamente em Cristo serão perseguidos”(3.12)! O que de fato aconselha, cura,
restaura, alicerça, purifica, guia, nos ensina o que crer, como viver,
repreende, exorta, fortalece, disciplina...? É a Palavra! Deus por meio do Seu
Espírito usa a Palavra. É nela que Deus se revela e é nela que aprendemos a
conhecê-Lo e a nos relacionar com Ele. É por meio dela que Deus desafia Seu
povo a segui-lo numa perspectiva teocêntrica e não humanista. Não afirmo com
isso que Deus não se preocupe com justiça social, com que pessoas sejam felizes
e que muitos desfrutem de prosperidade, contudo o centro de tudo isso é o
próprio Deus e não o homem. A visão humanista que é fruto de rebelião,
apostasia coloca o homem e suas filosofias no centro por uma razão obvia, “eu
sou deus”, enquanto que a Palavra coloca o homem no seu devido lugar, prostrado
diante do Senhor em reverente e humilde adoração reconhecendo que de fato só o
Senhor é Deus. A Palavra quebra o sistema idólatra predominante que toma a
agenda, as forças e o melhor das pessoas e direciona tudo isso para uma nova
proposta de vida, onde, as lentes que agora sou chamado a enxergar a vida são
as lentes da própria Palavra e desta forma, temos corações que se tornam
biblicamente orientados.
Encerro com
as palavras de Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o
ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim
de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa
obra. Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos,
pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja
oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina.
Pois haverá um tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário,
cercar-se-ão de mestres segundo suas próprias cobiças, como que sentindo
coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às
fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o
trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (3.16, 17;
4.1-5).
Leonardo Cavalcante
