Influenciando ou influenciados?
Pessoas falam sobre foco a todo instante. O mundo impõe que você seja focado, tenha seus objetivos bem definidos, faça escolhas que sejam lucrativas, seja assertivo, dinâmico, proativo...! Bom, tudo isso aponta para algo chamado sucesso (pessoal e profissional) se tornou o grande alvo da vida das pessoas, que cada vez mais egoístas, voam atrás da construção de reinos neste mundo. O grande espanto surge quando observamos a caminhada da Igreja dos nossos dias, porque o comportamento prevalecente é terrivelmente constatado nos arraiais evangélicos. Na grande maioria das Igrejas evangélicas no Brasil, a falta de exposição Bíblica, de compromisso integral com Deus e a ênfase nas “teologias” que ensinam prosperidade material e foco no bem estar, em que o homem é o centro, servem como provas da superficialidade e mundanização dos crentes. E esta é a palavra que define bem os crentes atuais, superficiais e mundanos.
Os que agora gozam da vida conquistada por Cristo na cruz são chamados a fazer morrer a natureza terrena (Cl 3.5), a não se conformarem (tomar a forma) com este século (Rm 12.2), a não andar como andam os gentios (Ef 4.17), ou seja, aquilo que pertence ao velho homem não faz mais parte da nova e verdadeira vida. Todavia, não é isso que é visto. O que se percebe é o prevalecer dos conceitos e filosofias mundanas e um constante esvaziar do Espírito e da Palavra. Estes fatores alimentam o amor ao “eu” e a incredulidade no caráter de Deus e em Sua Palavra se tornam ainda maiores fazendo com que os propósitos do mundo passem a ser os propósitos daqueles que já experimentaram o amor derramado na cruz. De forma bem prática, a Palavra de Deus e a vida com Deus é facilmente negociada por qualquer outra coisa. Jovens que não causam impacto nenhum e vivem deliberadamente em pecado, casais que se destroem por investirem mais nos movimentos impostos pelo mundo, como o obter sempre mais, por exemplo, e não vivem o caminho de Deus para o casamento. O que falar da criação dos filhos, do relacionamento dos filhos com os pais? O que falar do modo como conduzimos nossas relações no trabalho? Entretanto, essa vida contaminada com o mundanismo não interfere apenas internamente, pessoalmente ou em núcleos menores. Ela se expande. Como? Passamos a compartilhar essa cosmovisão com quem se aproxima de nós. Exemplo, quantos jovens muitas vezes se reúnem em programações com o intuito de, após esses encontros, “curtirem” suas baladas, farras e até motéis, o que está acontecendo? Eles estão compartilhando as trevas do seu coração com outros e sem sombra de dúvida discipulando de maneira corrompida até crentes novos na fé.
Penso na Igreja primitiva, penso nos grandes avivamentos, mas penso em pessoas simples que amam e andam com Deus e não só causam impacto onde vivem, mas são também uma denúncia contra aqueles que se perderam na caminhada. Assim como aconteceu na cidade de Antioquia, onde os discípulos por sua integridade na caminhada com Deus foram chamados de pequenos Cristos, que tenhamos hoje nosso foco não na busca por sucesso ou no empreendimento de reinos aqui neste mundo, todavia que sejamos lançados no mundo como gente que é chamada para fazer discípulos de Cristo.
Leonardo Cavalcante
