O que satisfaz seu coração? (parte 2)
O que as pessoas e até você pensaria de alguém que, segundo o padrão colocado pela sociedade, fosse bem sucedido, estruturado, promissor em sua carreira, futuro líder de uma poderosa instituição, viesse a perder tudo isso e para piorar a situação, não se tornasse um desfavorecido passivo, contudo, um perseguido, caluniado, difamado e dependente de alguém que o conduzisse por caminhos que não fossem tão agradáveis? O que sinceramente você pensaria?
Bem, deixe-me ajudar na resposta. Você está satisfeito com quem você é hoje e com as coisas que você tem? Todos os dias somos bombardeados seja pelos meios de comunicação, seja em nossos meios de convivência por uma quantidade enorme de informações que despertam nosso coração para um tipo de sentimento que afirma que não somos quem queremos ser e nem temos o que queremos ter. Tudo isso nos leva a um descontentamento ou insatisfação com a vida que temos. Meu celular não é um iphone, meu carro não presta, meu “apertamento” não satisfaz, meu emprego é um saco, minha igreja não me serve, minha esposa, meu marido, meus filhos, meus pais... e por aí vai a listinha.
Pensei em tudo isso observando um pouquinho a vida do apóstolo Paulo quando escreveu aos Filipenses. Enquanto muitos se convertem em um ambiente agradável e frequentam congregações confortáveis, Paulo caiu de um cavalo, ficou cego, passou a ser visto como um X9 pela igreja, enfrentou perseguições, naufrágios, apanhou um bocado e quando lembrava dos títulos e da posição que desfrutava antes de tudo isso afirmou que tudo aquilo considera como perda por causa de Cristo. Quando escreveu esta carta, ele se encontrava em uma prisão domiciliar em Roma o que não é uma situação favorável.
Agora no capítulo 4.4 ele nos fornece o segredo da verdadeira satisfação: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: Alegrai-vos”. Ah, tudo bem, é este o segredo? Isso passa em nossa mente de forma irônica e recheada de religiosidade principalmente porque a verdade que há em nós é que isso é irreal (ainda que não afirmemos isso). A prova que não é obtida pela confissão é percebida pelos atos. Nossas escolhas, nosso modo de viver e nos posicionarmos diante do mundo é a prova mais contundente, ou, o termômetro que indica se há saude ou não em nós.
Na verdade, a insatisfação que há em nosso coração é a prova mais clara da rebelião que existe em nós contra o caráter bom e soberano de Deus. O grande dieferencial na vida de Paulo e de tantos homens e mulheres de Deus é a vida que eles desfrutam com Ele. Mesmo em situação adversa Paulo expressa nessa carta em 16 vezes a palavra alegria que pode ser melhor traduzida por contentamento. Ele podia escrever sobre isto porque não eram as circunstâncias que enchiam seu coração, afinal, ele aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação, o fato é que Deus o fortalecia. A presença de Deus e a certeza que em todas as coisas Deus estava agindo para o seu bem, forjando nele o caráter de Cristo guardava seu coração.
Este não é um chamado à mediocridade, mas a vermos melhor quem é Deus e quem somos nós diante dEle e de Sua vontade para nossa vida. Deus cuida de você, mas, você de fato crê nisso? Deus é Senhor do tempo, todavia você mesmo sabendo disso de forma lógica se coloca submisso a esta verdade? Saiba que a queda gerou em nós um desejo por autonomia, independência, porém esta não é nossa estrutura e se insistirmos numa vida onde “nós” somos os capitães do nosso barquinho vamos cair em uma vida de ansiedade, depressões e insatisfações. Fomos criados para a glória de Deus e para vivenciarmos uma vida de fé, esperança e amor na dependência do Senhor.
Leonardo Cavalcante
